
Leandro Serain
Squad Leader na CI&T · Criador da Mentoria ARC
Profissional de tecnologia com mais de 11 anos de experiência liderando projetos complexos, com passagens por IBM, Grupo Santander e CI&T. Conecto tecnologia, pessoas e estratégia para ajudar profissionais a evoluírem de especialistas técnicos a líderes estratégicos.

Conheça minha trajetória profissional.
Comecei minha carreira como desenvolvedor, escrevendo código para o site da IBM. De lá para cá, passei por praticamente todos os estágios possíveis de uma trajetória em tecnologia: da execução técnica à gestão executiva de uma operação com centenas de pessoas. Ao longo desse caminho, uma coisa ficou cada vez mais
clara: entregar bem tecnicamente é a base, não o destino. O que muda o jogo é a capacidade de transformar esse conhecimento em direção, decisão e resultado para o negócio e para as pessoas ao redor.
Da execução à liderança técnica global
Entrei na IBM como Web Developer, construindo páginas e funcionalidades para o ibm.com. De lá evoluí para Technical Lead e, em seguida, para Global Technical Lead, posição em que passei a liderar tecnicamente seis equipes distribuídas entre Brasil, Argentina, México, Eslováquia, Romênia e China. Foi nesse período que a pergunta que viria a orientar o resto da minha carreira começou a se formar: por que profissionais tecnicamente excelentes nem sempre são os que mais avançam?
Essa pergunta me levou à agilidade, não como metodologia isolada, mas como forma de pensar liderança, colaboração e entrega de valor. Atuei como Agile Coach na IBM e, depois, na Mooven Consulting, onde treinei mais de mil profissionais em frameworks ágeis, product ownership e liderança de pessoas, e conduzi consultoria estratégica para empresas como Carrefour, Elanco, Mosaic Fertilizantes e Positivo desenhando desde estratégias de redução de custo até planos completos de transformação de negócio.
Na Emdia, empresa do Grupo Santander, essa trajetória ganhou
outra escala. Assumi a posição de CPO — Chief Project Officer, com gestão de 13 Centros de Excelência e 4 Squads. Reduzi o prazo de integração de novos contratos de dois meses para 45 dias e, em parceria com a equipe comercial, ajudei a estruturar
estratégias de go-to-market que resultaram em aumento de receita de R$ 2 milhões ao ano. Também liderei a implementação de um Plano de Continuidade de Negócios que reduziu a indisponibilidade técnica de 38% para 0,2%, uma economia superior a R$ 5 milhões anuais.
Em paralelo, atuei como DPO — Data Protection Officer, respondendo pela conformidade com a LGPD e conseguindo atender 100% das solicitações de titulares de dados e da ANPD dentro do prazo legal. Em um período de transição, também assumi como CDO interino, liderando uma equipe de 12
profissionais de dados na estruturação da arquitetura do Data Lake.
Foi um momento de assumir responsabilidades que iam muito além da técnica (projeto, dados, privacidade, pessoas, negócio) e de aprender, na prática, que liderança estratégica não é sobre dominar uma disciplina, é sobre conectar várias delas em função de um resultado.

Em 2024, essa trajetória foi interrompida por um desafio inesperado: o diagnóstico de um tumor cerebral benigno (schwannoma vestibular), que exigiu uma cirurgia intracraniana de 14 horas e quase uma semana de internação. A cirurgia foi um sucesso, mas deixou uma marca permanente, uma perda auditiva unilateral, que hoje me enquadra como pessoa com deficiência (PCD, CID H90.4). Voltei ao trabalho pouco tempo depois, e essa experiência reforçou, na prática, algo que já vinha orientando minha forma de pensar carreira havia anos: clareza sobre onde se está e para onde se quer ir não é luxo, é o que sustenta qualquer decisão importante, inclusive as mais difíceis.

Ao longo desse percurso, procurei formalizar o que ia aprendendo na prática. Na agilidade, isso significou me certificar pela Scrum Alliance, ICAgile e SAFe. Na gestão de dados e privacidade, formação como Data Protection Officer e em segurança da informação e proteção de dados pela Exin. Na liderança de
pessoas, certificações em coaching executivo pela SLAC e pela própria IBM. E, mais recentemente, um mergulho em marketing e branding com a Ana Couto — Laje, para entender como tudo isso se comunica.
Hoje, na CI&T, atuo como Gerente / Squad Leader, à frente de projetos em parceria com Professional Services na AWS. Foi com essa minha experiência que comecei a estruturar o que hoje é
a Mentoria ARC, minha forma de sistematizar essa jornada para outros profissionais que estão atravessando o mesmo caminho, do técnico à liderânça.
Se tem um fio que conecta essas décadas de trajetória, é uma forma específica de pensar decisão.
Prefiro resultado a método! Na Mosaic Fertilizantes, o desafio não era aplicar um framework ágil pronto, era transformar equipes de baixo
desempenho em um time multifuncional orientado a resultado. A resposta não veio de um playbook padrão, veio de um framework desenvolvido especificamente para aquela necessidade. Método é ferramenta, resultado é o que importa.
Também aprendi que pensamento crítico vale mais que repetição de fórmula. Numa comunidade que resistia à transformação ágil, tentar reaplicar a mesma abordagem que funcionou em outros lugares não teria funcionado ali. O que reconduziu aquele time ao caminho foi questionar o próprio processo, entender a resistência pela raiz, e usar comunicação não-violenta em vez de insistir na cartilha.
Esses dois princípios se somam a outros que orientam minha forma de trabalhar: clareza sem simplificar a realidade, conhecimento que só tem valor quando é aplicável, e resultado sustentável antes de qualquer tendência passageira.